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Como contratar um arquiteto evita retrabalho e despesas desnecessárias na obra

  • Foto do escritor: Thaís Rosot
    Thaís Rosot
  • 28 de jul.
  • 7 min de leitura


Introdução

No Brasil, 82% de quem já construiu ou reformou não contratou arquiteto ou engenheiro — é o que aponta a Pesquisa Datafolha realizada em parceria com o CAU/BR em 2022, com 2.495 entrevistados em todo o país. A maioria tomou essa decisão acreditando que o projeto seria um custo a mais. O que raramente entra nessa conta é o custo do que vem depois: material comprado errado, serviço refeito, prazo estourado e orçamento que não fecha.

O projeto arquitetônico custa, em média, cerca de 10% do valor total da obra — percentual que a maioria das pessoas superestima, chegando a imaginar 40% ou mais, segundo o próprio CAU/BR. Na prática, é o investimento que mais retorno gera ao longo de uma reforma ou construção: reduz desperdício de material, elimina retrabalho, mantém o cronograma e protege o cliente de decisões tomadas sob pressão durante a execução.

Este post reúne os dados que explicam por que isso acontece — e o que muda, na prática, quando uma obra tem projeto arquitetônico bem conduzido desde o início.


O que é retrabalho e por que ele acontece

Retrabalho é refazer um serviço já executado — por erro, por não conformidade com o que foi pedido ou por mudança de escopo durante a obra. É um custo que raramente aparece no orçamento inicial, mas quase sempre aparece na conta final.

Os números são expressivos. A pesquisa 'O Custo do Retrabalho na Construção Global', realizada pela PlanRadar com 2.551 profissionais em 17 países incluindo o Brasil, concluiu que o retrabalho eleva o custo dos projetos em média 11% do valor previsto inicialmente. A FGV/Ibre estima que falhas de qualidade e retrabalho podem elevar os custos de uma obra em até 12%. Em cenários mais críticos, um estudo da Universidade de Brasília (UnB) identificou que o retrabalho pode aumentar os custos totais em até 42%.

A principal causa identificada em todas essas pesquisas não é a má qualidade da mão de obra — é a falta de informação clara sobre o que precisa ser feito. Segundo o IBAPE-RS, 45% das patologias em edificações têm origem na fase de elaboração do projeto e 22% na execução. Dois terços dos problemas nascem antes ou durante a obra, por ausência de planejamento técnico adequado.

Na prática, o que gera retrabalho com mais frequência em reformas residenciais e obras comerciais é sempre a mesma combinação: ausência de projeto completo, falta de compatibilização entre as disciplinas — arquitetura, elétrica, hidráulica, marcenaria — e mudanças de decisão durante a execução, quando alterar qualquer coisa já custa muito mais do que custaria no papel.


O que o desperdício de material realmente custa

Além do retrabalho, obras sem projeto sofrem de outro problema silencioso: o desperdício de material. Ele acontece em três formas principais — compra errada, quantidade errada e especificação errada — e raramente é percebido como custo evitável.

A Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC/IBGE) indica que obras sem controle de quantitativos gastam, em média, até 8% a mais em material do que o necessário. O Sinduscon-SP estima que entre 8% e 12% de todo o material comprado é perdido antes da entrega no Brasil — contra menos de 3% em países como Japão e Alemanha. Um estudo da USP aponta perdas financeiras de até 30% do capital investido quando se somam desperdício de material e retrabalho.

Em materiais específicos, o problema é ainda mais pronunciado. O desperdício de massa fina pode chegar a 80% em obras mal geridas. Tintas e tijolos perdem mais de 25%. Porcelanato comprado sem paginação planejada — um dos erros mais comuns em reformas — gera sobras e recompras que somam facilmente 10% a 15% do valor total do revestimento.

O que está por trás desses números é sempre o mesmo: sem um projeto que defina quantidades exatas, especificações precisas e um planejamento de compras alinhado com o cronograma de obra, o material é comprado no improviso — e no improviso, o erro é a regra, não a exceção.


A regra 1-10-100: o custo de corrigir depois

Há um princípio consolidado na construção civil (derivado do trabalho do engenheiro holandês Cor Sitter na década de 1980) que resume com precisão o custo crescente do retrabalho conforme a obra avança. É chamado de regra 1-10-100: um erro que custa R$ 1 para corrigir no projeto custa R$ 100 na execução e R$ 1.000 depois da obra pronta.

Esse princípio não é abstrato. Ele aparece em situações concretas que arquitetos encontram com frequência em projetos de reforma e construção.


Parede estrutural.  Uma parede identificada como não estrutural no projeto custa apenas uma revisão de planta para ser removida. A mesma parede demolida durante a obra sem essa verificação — e que se revela estrutural — gera rachaduras em outros ambientes, exige reforço estrutural e pode comprometer a segurança do imóvel inteiro.

Ponto elétrico errado.  Um ponto elétrico posicionado errado no projeto custa mover um símbolo no desenho. O mesmo ponto instalado na posição errada durante a obra exige rasgar o reboco, reposicionar a caixa, rebocar novamente e replicar o acabamento — que muitas vezes não tem mais o mesmo lote de tinta ou revestimento disponível no mercado.

Marcenaria incompatível.  Uma marcenaria especificada sem conferência com o projeto de forro e iluminação pode chegar na obra e não caber no espaço disponível — resultado de decisões tomadas em separado por profissionais que não conversaram entre si. Refazê-la tem custo de produção, prazo de entrega e atraso em todas as etapas seguintes.


Em todos esses casos, o denominador comum é o mesmo: uma decisão tomada sem projeto (ou com um projeto incompleto) que se transforma em custo multiplicado ao longo da execução.


Como o projeto evita cada tipo de desperdício

O projeto arquitetônico atua como instrumento de controle em quatro frentes que, combinadas, eliminam ou reduzem significativamente os custos de desperdício e retrabalho.


Quantitativos precisos de material.  Um projeto bem desenvolvido permite calcular com exatidão a quantidade de cada material necessário — revestimento, tinta, argamassa, elétrica, hidráulica. Isso elimina a compra por estimativa, reduz sobras e evita recompras emergenciais, que costumam ser feitas a preço maior e com menor poder de negociação. Estudos acadêmicos brasileiros indicam que a compatibilização de projetos, que representa cerca de 3% do custo da obra, pode gerar economia de 6% a 8% no custo global.

Compatibilização entre disciplinas.  Elétrica, hidráulica, estrutura, climatização e marcenaria precisam conversar entre si antes de a obra começar. A compatibilização — processo que identifica e resolve conflitos entre essas disciplinas no projeto — é o que evita que um duto de ar-condicionado passe exatamente onde a viga foi projetada, ou que um ponto de tomada apareça atrás de um painel de marcenaria. Empresas que adotam compatibilização formal relatam redução de até 75% no retrabalho e queda superior a 40% em mudanças não previstas durante a execução.

Cronograma controlado.  Sem projeto, cada etapa da obra depende de decisões tomadas na hora — o que gera pausas, esperas e retrabalho por falta de sequenciamento adequado. Com projeto, o cronograma é planejado antes de a obra começar: as equipes sabem o que vem antes e o que vem depois, os materiais chegam no momento certo e o tempo de execução é mais previsível. A CBIC registrou que, em 2023, 38% das obras sem planejamento adequado ultrapassaram o prazo inicial em mais de 20% e 41% excederam o orçamento previsto.

Proteção contra decisões impulsivas durante a obra.  Uma das causas mais frequentes de retrabalho é a mudança de ideia durante a execução — quando o cliente vê o espaço tomando forma e quer alterar algo que parecia certo no papel. Com um projeto bem desenvolvido e previamente validado, essas mudanças são avaliadas com tempo e critério, não sob a pressão de uma equipe aguardando instrução. As que fazem sentido são implementadas de forma controlada; as que gerariam problemas são identificadas antes de causarem dano.


O que isso representa em Curitiba

Esses percentuais ganham peso concreto quando aplicados ao mercado curitibano. O CUB-PR — Custo Unitário Básico do Paraná, calculado mensalmente pelo Sinduscon-PR — estava em R$ 2.622,83/m² em junho de 2026. Em um padrão residencial intermediário em Curitiba, uma reforma completa de 100m² pode envolver um investimento entre R$ 120.000 e R$ 200.000, dependendo do escopo e dos materiais.

Aplicando os percentuais de desperdício levantados pelo IBGE e pela USP a esse cenário: 8% de desperdício de material representa entre R$ 9.600 e R$ 16.000 jogados fora. Somando 11% de retrabalho sobre o valor da obra — percentual médio da pesquisa PlanRadar — o custo adicional não previsto chega a R$ 13.200 a R$ 22.000. Em casos mais críticos, com retrabalho de 12% e desperdício de 12%, a diferença entre o orçamento inicial e o custo final pode ultrapassar R$ 48.000 em uma reforma de R$ 200.000.

O projeto arquitetônico — que nesse mesmo contexto custaria entre R$ 200 e R$ 300 por metro quadrado, ou R$ 20.000 a R$ 30.000 para 100m² — não é o custo extra da obra. É o que mantém os outros custos sob controle.

Curitiba está em um dos ciclos de construção mais aquecidos do país. Em 2024, a cidade registrou crescimento de 35% nos alvarás liberados — 9.265 novas licenças, equivalentes a 905 mil m² de área construída. Com mão de obra e materiais mais caros e demanda aquecida, cada erro cometido durante a execução custa mais do que custaria há dois ou três anos. Planejar bem antes de começar nunca foi tão necessário.


O projeto não é o custo da obra. É o que mantém o resto sob controle.

Retrabalho, desperdício e prazo estourado não são problemas de execução — são problemas de planejamento. E planejamento começa com um projeto bem conduzido, antes de qualquer decisão sobre material, equipe ou cronograma.

Se você está planejando uma reforma ou construção em Curitiba — residencial ou comercial — e quer entender o que um projeto arquitetônico pode fazer pelo seu orçamento antes de começar, nossa equipe está disponível para uma conversa.

Entre em contato pelo WhatsApp e agende uma conversa com nossa equipe. A partir daí, analisamos juntos o escopo do projeto e o que é possível planejar para que sua obra saia dentro do previsto.


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